sexta-feira, 21 de maio de 2021

 



juro parar de escrever,
mas meu juramento não é mais forte que o desejo,
que o ensejo, o áto, de cometer o poema, a escrita,
a canção na voz e no instrumento,
nos desdobramentos do dia e da noite,
nos cabos que se átam ao tempo preciso,
a nuvem, ao sol,
as costuras de suas vestes astrais

 


meu juramento de nunca abandonar o caminho,
esse caminho, essa prática, o sutra, o de lótus,
o sutra dos que observam na alma, nas almas,
o certeiro fogaréu,
a compreensão de ver trevas verteressem
em alegria indestrutível
eu moro nesse palácio, nas janelas do reino,
nas portas dos ventos,
bem afortunado por vivo estar,
por cumprir minha lenda pessoal
de forma brilhante atado aos companheiros,
aos nossos companheiros de luta
aos nossos companheiros de luta,
dedico cada tema, cada poema,
as canções por mim geradas,
cantadas,
no bom tempo, na tempestade,
na calmaria,
entre relâmpejos e vômitos de lavas

 



fora do tempo dentro do tempo,
dentro da jarra, do tambor, dos chocalhos
da respiração profunda, abdominal,
prânica abundante
o que importa é decidir agora assumir o yogui
que pulsa em você

 


passaredo, passarada, 

ser de penas,
de patas, de alongadas asas...
um ponto aqui, 

outro nas cavernas, nas sombras




redemoinhos se movem pelos campus
de meus músculos,
pelas movediças palavras da pele,
hoje senhor de todas as certezas,
certo estou que nada sei,
que nada represento,
que tudo que armazeno transmito ao próximo,
aos eus que vou encontrando
por meio da lambedora poesia

 


a língua das coisas nos lambe,
montemos na língua, enxame,
na longa cauda do trovão,
na hélice, nas asas,
do senhor avião,
senhora aeromoça,
astronauta de belezas,
vinde nunvens, vinve céus,
vinde luzes
e estrelas do cinema de venesa


a honra de ver em meu rosto o rosto de meu pai,
isso me faz ser o maior dos filhos,
o mais alto dos poetas do brejo,
do lamaçal, da rua marangá 604
para o deserto para o sempre lanço perfumes
sobre os cabelos da jacarepaguá profunda,
e de tão profundo com a aura subimos ( eu e meu amor )
as condilheiras do camorim

 


não me considero vagabundo,
para a"manada dos normais", sou...
vivo de poesia desde meus 19 anos,
e desde então vivendo de poesia,
apenas de poesia,
tudo que tive e que tenho foi a poesia que me deu,
o mágico, o filho, o amor, a comida e a cama,
os aliados de todas as horas
pelo anos que passei na rua, dormindo aonde dava,
comendo o que dava, o que era possivel,
mas hoje ainda na rua, na rua das hortências,
no palácio que fora de emily dickinson
jantamos a mais linda caldeirada
nutrida pelo vinho da serra gaúcha

 


assim diria gregório de matos guerra:
faltou água, ficamos sem descarga,
minha bosta se encontrou
com a bosta de meu amor,
na mesma água, no mesmo vaso

 


no termômetro desse agora,
na voltagem da noite abissal,
digo aos muitos, irrestrito, total,
as falas que devo dizer doravante
nas garrafas verdes, nas garrafas azuis,
nos azulejos,
derramo o sêmem do novo cinema,
as lâmpadas cobiçadas por minha mulher

 



sempre na estrada,
sempre no desarranjo dos cilindros dos motores,
das montanhas, do louco sol,
para dizer não ao animal domesticado,
ao ser que se esquece de seus páis,
ao bicho castrado,
aos que escondem seus peidos

 


jacarepaguá, fria, maio caminhando para o fim,
um filme de luiz carlos barreto,
o personagem, sônia braga abre um ármario...
o cinema brasileiro,
o cinema das muitas dimensões,
o cinema, o salto do império,
da amperagem das válvulas que usarei para compor,
uma canção, um pedaço de texto, um capitulo,
uma cena
jacarepaguá, fria, maio caminhando para o fim,
o mapa do céu da terra das arapongas,
o arrulho das outras aves, das pombas, dos pombos,
dos monstros meus mesmos que são aves,
que são aviões, aviões saidos dos escombros,
dos tijolos, das ruinas,
dos címbalos de metal que uso
para tocar algo para dançarmos


Eu moro nas alturas dos sapos e das salamandras,
GRÁVIDOS, eu e minha mulher PITANGA,
o nosso destino é o andar, o caminhar,
o bater pernas, o ralar dos corpos, os muitos,
ao sol, ao sal, ao sutil corpo da luz,
corpos nossos, sempre, os muitos,
espalhados pelo multiplicar
miragem, milagre, determinação, entrega,
o máximo, o mínimo...
palavras são sopradas aos nossos ouvidos de madrepérola...
palavras escapolem dos vãos que são cavernas
habitadas por queridas lacráia,
irmãs lacráias que nos auxiliam no controle das pragas;
palavras de pés e vagina,
vagina mijona, vagina enluarada
visão extrema de águia, visão radar de morcego,
visão que estrapola o incomum roendo o fumo e o rum,
as ramas e os temperos, as ervas finas, o tomilho...

 


mais um bilhão e meio de anos de f...
fada-malicia, fada-raiada,
fada-ondulando ombros
em meio ao grande concerto
de samsara blues experiment
luzes curvelineas concavas
cheias de cavidades sem fundo
luzes tri-legais tri-trovões tri-tudo
que pisca-pisca

morphine the night
Marko Andrade foi quem me disse
que os olhos da casa dos sapos
cabem cá nos controles,
cá nas potentes pernas dos poetas

E o riso das coisas rotativas se rendem ao som,
ao soul,
ao mérito de ter no violão um gênio,
uma lâmpada,
um farol atado aos nervos dos barcos

 


desafio aos vagabundos compositores comporem canções
com as palavras 

que vou amarrando 

dentro do losângulo poema



ouvindo as estranhas

de sérgio sampaio,
o cara é foda, off tudo

 


somos poetas da senzala,

off-poetas por sermos pretos
e pobres, mas não muito


estudioso-faraó-desse-agora, eu,
você, ventania, diego el khouri,
glad azevedo, paulo betti, maria gladys,
catarina crystal...
partituras de canções de estrada,
de asfalto e terra,
relógio de parede de pêndulos enormes,
casa de meus avós maternos,
altar de santa barbara,
espadas de santa barbara mergulhadas
na jarra de cristal verde,
ao lado, uma gigantesca vela,
na rua, a rua dr bernadino,
a praça seca, minha, de fátima guedes,
de guinga, de elizete cardoso,
de dalva de oliveira,
do falcão negro

 


estrada dos bandeirantes,
bandeiras asteadas no túnel,
na entrada da toca,
do coelho, da toca de minhas visões,
a ciência psicodélica
nos aponta o caminho dos sonhos,
do extase, da vertigem, do radical,
há de se ter muita sabedoria nessa hora,
pense, é vossa vida que está em jogo,
questione: "estou preparado?"
poder posso, mas devo?
mas é urgente mergulharmos no intenso,
nas abstrações, no mistério,
rajadas de pontas de estrelas
nos atingem,
estejamos abertos para recebe-las


ficaram no passado que não esqueci,
vários camaradas irmãos de primeira hora,
de primeiros socorros, de muitos acordes,
irmãos da dinastia da música,
da poesia arte tônica,
da pista, do trecho, do off, da quebrada,
dos trampos, dos corres
irmãos de viagens cósmicas, de viagens terrestres,
no bandeijão de um real,
das marolas, dos bauretes abençoados,
dos discos, dos tapetes, das vitrolas
havia um ribeirão no fim da rua,
havia cadelinhas-magras nas águas
minhas lembranças cobertas de areia e lama,
de banhos de ribeirão, de escorpiões e cobras d'águas,
de meninos comendo tanajuras cruas
e torradas na farofa, do mineiro café com farinha,
da gigante chuva,
do barro vermelho até o pescoço,
da feira da breganha




juro parar de escrever,
mas meu juramento não é mais forte que o desejo,
que o ensejo, o áto, de cometer o poema, a escrita,
a canção na voz e no instrumento,
nos desdobramentos do dia e da noite,
nos cabos que se átam ao tempo preciso,
a nuvem, ao sol,
as costuras de suas vestes astrais

 





meu juramento de nunca abandonar o caminho,
esse caminho, essa prática, o sutra, o de lótus,
o sutra dos que observam na alma, nas almas,
o certeiro fogaréu,
a compreensão de ver trevas verteressem
em alegria indestrutível
eu moro nesse palácio, nas janelas do reino,
nas portas dos ventos,
bem afortunado por vivo estar,
por cumprir minha lenda pessoal
de forma brilhante atado aos companheiros,
aos nossos companheiros de luta
aos nossos companheiros de luta,
dedico cada tema, cada poema,
as canções por mim geradas,
cantadas,
no bom tempo, na tempestade,
na calmaria,
entre relâmpejos e vômitos de lavas



  juro parar de escrever, mas meu juramento não é mais forte que o desejo, que o ensejo, o áto, de cometer o poema, a escrita, a canção na v...