terça-feira, 30 de março de 2021

 





o tiê sangre no jambeiro sangre 

na praça seca
dos meus dias de praça seca
ainda então paraiso


 


queda de pedras, queda de corvos,
combinado de serpentes,
rã engolindo e cuspindo estrelas,
aqui é o flautista horus falando,
saibam que a minha flauta é a extensão de meus...
dedos!
e meu canto descende do lápis,
eu tenho o lápis de artaud,
eu tenho dez dedos que são canetas,
que são varetas, varetas mágicas,
chapéus do dançarino de alice de lewis carroll,
"os carneirinhos enroladinhos como carretéis de lã"

segunda-feira, 29 de março de 2021

 


me livrando de palavras
para desatar nós emocionais,
do pavor, do medo,
do panico por compor com o corpo
o substantivo, a substancia do globo
tenho que me encarar, eu e eu,
donde vem a impotencia,
o impacto, as armaduras,
os broqueadores, os cadeados
e as travas?
eu escravo de mim mesmo, como o que comi ontem,
há uma escada que devo descer e subir em meu centro
eu estou, não sou esse corpo,
o que me pertence é apenas essa voz que vos fala

 


vossos dedos,
nossos dedos são parafusos
se atarrachando no núcleo, nas emendas,
nas casas cheias de vidas,
nas casas cheias de vidas hablamos

 



minha naturaleza vos chama
com as vozes dos grilos chineses, aqueles das gaiolinhas,
os que os meninos de xangai e de outra cidades
guardam debaixo da cama
o mágico nos chama,
nos chama a amendoa, o amendoim
e a semente do cânhamo
no óleo da meia-noite nadamos,
nadamos nas taças de vermute,
nos tonéis de argila azulada

 



urrando de inveja de ver tárrega falar com os dedos no violão nave extraordinária extensão intensão da voltagem mutante de nossos corpos
de música, se não toco violão com a realeza de tárrega,
escrevo com os astrolábios de rimbaud kerouac
artaud diego el khouri quintana jim
e escrever movido pela música marssupial de tárrega
é estar num palácio de diamates vermelhos dourados

 


o rock da nona dimensão
dos inacabáveis beijos
é agora a serpente sem começo e sem fim

 


minha igreja é feita de tetas repletas de leite,
e nos intervalos que encontro entre minhas valas
e as tuas valas valas,
posso dizer que canalizo as águas de hélius,
as águas do amor há muito esquecido,
as águas
vinde luz única de porcela e betume,
vinde mãe cerejeira, rainha jaca-manteiga,
parceiro jenipapeiro...
nos grudes das plantas crescidas nas camadas pantanosas,
nossas almas das estradas quer ouvir para o sempre
"I Heard It Through The Grapevine"
e eu convido o arqueiro
Tanussi Cardoso
para cá nesse banquete estar,
ele e seu barco a vela, ele e suas páginas inventivas

 


qual puto, qual puta,
que não gostaria de ser por uns milênio rauzito seixas?
bem que tento, que tentei, não desisto,
mesmo com a barba bem branca sigo arranhando os cadernos
e os arames do violão,
e as teclas do piano que fora de minha mama,
e a flauta que achei no lixo,
e a gaita que um aliado me deu dizendo
que foi lhe foi um presente de erasmo carlos
( e não morro e morro comendo cajá-manga com sal
para não perder meu caraoquês, a ginga dos bambas,
o céu qualhado de pipas e meninos
( ladrões assim como eu de pesadelos e anedotas,
de pintas nas xotas de gurias da rua marangá vilas janelas,
de valões inequecíveis, barro até os cabelos,
de balões crescendo como cruzes
nas atarantadas estrelas do céu das naves arregaçadas

 



eu que não possuo nenhuma idade,
continuo gestando o que há de pior nas artes
por ser o pior dos piores,
e foda-se se você não compreende,
e foda-se se você não tem o pique de rasgar o cu com os dedos,
de trepar nas torres do saber que ficam nas esquinas de tua rua
tropeças em livros em livros ao cagar,
tropeças em velhos de alma, em pentacostais de teatro,
em mentes-topeiras, em ladrões nojentos
e foda-se novamente, irmã da merda seca,
da burrice enferrujada, da mentira encruada,
não, eu não te odeio, desonesta, evangelica no rabo

 



no pós meia-noite
da jacarepaguá profunda ( edu planchêz maçã silattian )
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por entre malandros e falsos malandros,
começo desenrolar o novelo das letras, vogais, consoantes
que cabem e não cabem em nenhum livro,
mas cabem nas tampas das coisas que não coisas
porque isso aqui é um escrita automática
que conversa com vozes largadas por jack kerouac
nas trombas dos elefantes-velozes das tintas das canetas
que existem apenas no imaginário
e minha dose de gin, de gelo,
de gin e gelo, de literatura plural,
casa de olhos e bocas, de guitarras afinadas por insetos
que se acendem na mente blues potente
aos irmãos e irmãos da cadência morna do vivo verão,
da aquarelada nave movida por música,
por poemas bem polidos, ofereço o vinho das luas
que eu e meu amor vemos no pós meia-noite
da jacarepaguá profunda

 o vulcão avua nas calibragens do scotch 

de dom pedro

da subida da serra,
o alto da tijuca conhece de longe suas araras

sábado, 27 de março de 2021

 



reatando minhas moléculas as moléculas da argila
em nome de camille claudel rainha,
mãe e filha da minha gema escultora,
da minha certidão andaluz
hoje sou o cão, o lobo
e as tenazes aves brancas de senssei nitiren,
hoje sou as pilastras sustentáculos do principe teatro,
das cousas que correm nos palcos das retinas

 



irmãos e irmãs da guerra biológica sobreviventes,
nos unamos, doravante estejamos um olhando para o outro

 


como os gatos escolhem seus tutores,
não sei se vou conseguir dizer,
há um vídeo estudo sobre isso,
mas possivelmente sendo poeta
tenho outras versões dispares

 



sou poeta do mato, da mata das caiporas
esquadrinhadas pela câmera atenta de meus olhos,
de meus olhos labaredas
vinde sim pequeno príncipe,
aferroar-se ao cais que movo nas nuvens,
nas nuvens de meus irmãos maiores e menores,
aos que estiveram e estão comigo nas ruas,
praças onde finco as varas de nossas bandeiras circenses

 



A IDADE TEM PESO,
TEM CHAMINÉS ESPELINDO LEMBRANÇAS,
A ARTE DE SABER QUE O NAGUAL É A PURA DANÇA,
É O SOLO DOS AMOTINADOS,
DOS QUE ESCREVEM NAS GELEIRAS
POR SABER RESPEITAR O FOGO

 



eu e minha barba beirando o que foi,
o que é a barba de walt whitman,
dos pastores-do-mel, andantes da india,
caminhadores noturnos
tal eu e minha ama
patinando os pés pelas trilhas
do condominio bandeirantes...

 



menoscabar, não
ocultando cadáveres,
ocultando a verdade por questões politicas,
maléficas, irresponsáveis

 


ZARVOS GUILHERME AMADO, NO TETO DO QUE PENSO
HÁ UM ESCRITO EM QUE FALAS DE VOSSA MADRE,
DA SOMBRA DE UMA ÁRVORE,
DA TERRA, DO JARDIM BOTÂNICO...
EU O AMO, BEIJOS, QUERIDO

 



correria de pensares,
de sentimentos subcultaneos, subterrâneos,
eu estou em todos eles por ser dylan artaud

 


eu aqui tentando, tocando no super-homem,
em nietzsche,
em nossos dias de jacarepaguá profunda
se você não me conhece, eu me conheço,
a matilha dos felinos marssupiais,
prontamente nos serve o musse de estrelas
( pelo o estio das madrugadas de março )
eu e meu amor nos braços de seu nelson cavaquinho,
nos braços de surama-yona-bonten-taishaku

 


acendo meu fiel baseado ( edu planchêz maçã silattian )
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para começar equilibrar os chacaras,
repiro, bebo água,
pingo embaixo da lingua 4 gotas de floral,
como uma banana d'água,
faço um pouco de polarização energetica
bebo mais água, engulo um calmante
e acendo o meu fiel baseado,
agora o dia começa, minha senhora,
levantou e veio ler o que estou escrevendo,
ela não é a matilde de pablo neruda,
nem a galla de dali,
muito menos frida de diego reviera,
e sim a feiticeira catarina crystal
de edu planchêz maçã silattian rei lagarto

 



Simon & Garfunkel - Mrs. Robinson...
A flauta Pã e a doce se tocam,
quase tocam a minha mão esquerda,
as nove da matina, as nove badaladas do violão,
da mão, das mãos no violão




poeta ao extremo, durmo poeta,
acordo poeta
nas grimpas que no entender de nossa mãe,
significa que algo se encontra no alto
de uma grande árvore



reggae the police extremo
aguilhão de bicho escorpião abelha
fincado nas vertebras da musica
na orla do almoço,
na orla da barra da tijuca
perto de casa, dentro de casa,
dentro do ovo-motor,
da pancada, da patada atômica,
gol de rivelino,
gol do fogo na gordura da água,
da carne, do tempero

 eu, esse poeta da porra,

cavalheiro alado partido em fatias,
em gomos de tangerina



fico tentando escapar do escrever,
do escrever-se,
a treva estica uma de suas pernas para que eu caia,
treva minha mesmo,
vinda de mim mesmo,
noutros dias, não tão outros assim
( dia desses resava no sanatório da tijuca
amarrado a uma cama numa solitária cheia de grades,
sendo que a grade-mor era eu mesmo,
fui deixando meus ouros nos cochos,
nos rostos odiados e amados,
morri, quase estraçalhei os neurônios

diante de tanta creldade contra as pessoas,
a arte tem a missão de fuzilar, de decaptar,
de estender uma corda e enlaçar o pescoço do rei assassino,
dos que não conhecem em seu vizinho um irmão,
e as pessoas estão morrendo aos montes feito insetos,
e você diz que não tem nada com isso

  juro parar de escrever, mas meu juramento não é mais forte que o desejo, que o ensejo, o áto, de cometer o poema, a escrita, a canção na v...